sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Busca de Passaportes Portugueses



Nilza Cantoni é uma dessas pesquisadoras pioneiras que se debruçou sobre caixas de papelão esquecidas em porões empoeirados para desvendar a magia do passado. Ela é tão altruísta ao dividir sua pesquisa que eu poderia até mesmo compará-la a Gilberto Freyre. Ela já foi motivo de alegria de muitos genealogistas da Zona da Mata Mineira, inclusive eu.

Ela me recomendou um bom site para busca de passaportes portugueses. Infelizmente não encontrei nada referente aos meus trisavós portugueses: João Guedes Pinto e Bernardino Mouço e Silva. Deixarei a dica para quem quiser pesquisar:

http://cepese.up.pt/pt/passaportes_pesquisa.php

No Brasil o genealogista em busca de passaporte tem duas opções:

Caso tenha desembarcado em São Paulo é bem provável que encontre pistas no memorial do imigrante. Há um sistema de busca On-line no site:

http://www.memorialdoimigrante.org.br/

Menos organizado é o acervo da Biblioteca Nacional e da Pousada do Imigrante da Ilha das Flores. Estes locais são responsáveis por guardar documentos de imigrantes que chegaram ao Brasil através do porto do Rio de Janeiro.

Não há sistema de buscas on-line, sendo necessária a visita no local.

Desejo a todos muita sorte (sempre necessária aos genealogistas)

Casos do Sr. Guedes

Lembranças de Patrocínio do Muriaé

Maria Helena Silva Coutinho e Neide Silva Coutinho
Bernardino Mouço e Silva e Adelaide Mouço e Silva

Graças ao pioneirismo da pesquisadora Nilza Cantoni de Leopoldina tive informações de meu trisavô português Mouço e Silva. Ela transcreveu os prontuários de Registros de Estrangeiros, dos livros de Registro de Óbitos do Cemitério Municipal e dos livros de Assentos Religiosos da Matriz de Nossa Senhora do Rosário. As informações foram, em sua maioria, declaradas pelo próprio imigrante.

Ele nasceu em 1880 em Villa do Conde, Portugal. Veio para o Brasil com 13 anos em 21 de dezembro de 1893.
Família Silva Coutinho no sítio
Yacyr dos Reis Coutinho e Diva Silva Coutinho

O distinto Sr. Coutinho e sua esposa dona Diva Silva Coutinho. Não sei porque, mas sempre que vejo os dois me lembro do D. Pedro II (sem barbas) e Teresa de Bourbon (que também era baixinha), princesa das Duas Sicílias. Todos meus parentes, primos, tios, avós me descrevem o Sr. Coutinho como o exemplo do homem ilustrado, caridoso, apreciador da ornitologia e leitor assíduo. Este maçom de vida ilibada poderia muito bem representar um verdadeiro D. Pedro II do século XX.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Ildefonso Guedes Pinto - Um herói ferroviário

Foi com uma imensa alegria que recebemos esta homenagem prestada por Aristides Dorigo, jornalista, prestada ao meu bisavô: Ildefonso Guedes Pinto. A reportagem narra parte de sua biografia, em particular sua participação na greve dos ferroviários da Leopoldina Railway em 1934. Segue-se abaixo a transcrição da reportagem de 2004:

Resgatando a Memória - Ildefonso Guedes Pinto - Um herói ferroviário


Bisavô Ildefonso e minha avó Maria Helena

No momento em que se comemora o cinquentenário da emancipação político-administrativa de Patrocínio do Muriaé, minha terra natal (01-01-1954), lembrei-me de prestar homenagem à memória do herói ferroviário Ildefonso Guedes Pinto, mineiro de Manhuaçu, que chefiou a estação ferroviária de minha terra natal, durante cerca de oito anos (década de 40), pautando por uma linha de disciplina rigorosa, mas de uma ternura admirável.

Era de uma postura invejável, e gostava de torcer, de quando em vez, aquele bigode cheio de aparado. Inteligente, prestativo, pai extremoso, primava em participar de atividades esportivas. Foi organizador e presidente do L.R. Futebol Clube, que deu memoráveis vitórias ao nosso então distrito. Tornou-se, também, organizador e presidente do clube carnavalesco Vermelho e branco, que fazia sucesso.

Indefonso Guedes Pinto exercia uma autoridade reconhecida no então distrito, e se fazia respeitar por todos que dele se acercavam. Quando havia algum desentendimento entre particulares e os guarda-freios de trem (José Arruda, Aristides Almeida e José Raymundo), que chegavam à vias de fato, o que às vezes acontecia no prostíbulo da Beira Rio, hoje Cristo Rei, os litigantes corriam para se abrigarem na estação ferroviária, porque sabiam que a polícia não invadia o recinto da ferrovia, pois o Sr. Guedes não permitia que os agentes da lei ali penetrassem. Ele era a própria lei. E, definitivamente, não permitia que a estação ferroviária fosse invadida por qualquer pessoa estranha ao serviço. Os policiais só compareciam, ali, quando chamados, pois o Sr. Guedes fazia questão de exercer o poder de repreensão ao subordinado faltoso.

Estação Ferroviária de Patrocínio do Muriaé, chefiada por meu bisavô

Um episódio importante do qual fui testemunha ocular, pois era praticante do serviço telegráfico, lembro-me bem, ocorreu em 7 de Abril de 1934, quando irrompeu a primeira greve dos ferroviários reivindicando melhores salários, com inicio no Rio de Janeiro e logo se alastrando pelo interior.

Em Patrocínio do Muriaé, o movimento teve, como grande líder, os Sr. Ildefonso Guedes Pinto que segurou todos os trêns procedentes do Rio, Carangola, Itaperuna e Muriaé. Fez uma fileira de 10 locomotivas e carros de passageiros que foram estacionar linha principal. Alguns passageiros ficaram desesperados porque queriam chegar ao destino. Mas o Sr. Guedes de Winchester 44 na mão não deixava que nenhum estranho se aproximasse da estação. Este movimento que teve o Sr. Guedes como herói, durou cerca de 3 dias até não vitorioso totalmente, cessou por interferencia do Estado e da Federação. Cessado o movimento, mais tarde a administração da ferrovia inglesa tentou transferi-lo para Cachoeiro do Itapemerim, porém, esta determinação fora posteriormente cancelada, face a influencia de seus amigos políticos junto à direção da ferrovia e ao governo.

Quando finalmente Patrocínio do Muriaé emancipou-se de Muriaé, instalando-se a prefeitura em 1954., Ildefonso Guedes Pinto foi eleito vereador com espressiva votação tornando-se 1º secretário da Câmara Municipal. Honras e glória à memória de Ildefonso Guedes Pinto que hoje descansa no campo sagrado de Muriaé e sua bonissima alma rodeada de anjos nas messes de Deus.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Major José da Costa Mattos

Hoje me aconteceu uma grande alegria. Recebi um e-mail com o título "pesquisa". Fiquei meio desconfiado pois não conhecia o remetente. Quando abri, uma surpresa, era um interessado em genealogia: João Alberto.

Ele acessou este blog e viu que eu tetraneto do fundador de Cisneiros: o Major José da Costa Mattos. E não é que ele tinha uma foto digitalizada do Major.



Ele ocupa o centro da imagem, altivo e de barbas brancas sob o parapeito da porta. Ao seu lado provavelmente está Balbina Emilia de Magalhães com quem se casou e teve numerosa prole. Foi uma grande alegria receber essa imagem do homem que administrou, loteou e traçou as ruas de Cisneiros. Durante sua longa vida foi homem público, vereador e subdelegado. Um imigrante português pioneiro e que ajudou a edificar uma pequena parte do Estado de Minas Gerais.