sexta-feira, 25 de maio de 2012

Entre livros...

A Biblioteca é realmente um lugar mágico. Ela nos permite um contato atemporal e sem fronteiras com autores do mundo inteiro. Desde a antiguidade clássica aos dias de hoje diversos autores aguardam nosso contato. Adoro sentar-me na poltrona e traçar com cada um deles tardes de lirismo e reflexões. Tudo aqui, na sala da minha casa. Posso viajar por diferentes contextos e dialogar com os seres humanos mais extraordinários das mais variadas épocas e lugares.

Entretanto, o mundo lá fora ruge e me chama. Trabalho e salário me fazem ter contato, muitas vezes, (em contraste com a bibliteca), com os seres humanos mais idiotas que conheço.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

"Mein Kampf" será publicado pela primeira vez desde a guerra

O livro de Adolf Hitler, "Mein Kampf", será publicado pela primeira vez desde a guerra na Alemanha, numa versão comentada prevista para 2015, anunciou nesta terça-feira o Estado regional da Baviera, que detém os direitos, segundo a agência alemã DPA.
O ministro das Finanças da Baviera, Markus Söder, anunciou que a decisão foi tomada depois de muitas discussões, principalmente com juristas, a fim de desmistificar esta obra que mistura elementos autobiográficos e fundamentos da ideologia nazista.
"Queremos mostrar claramente a que ponto este livro, com consequências catastróficas, é absurdo", destacou sobre a obra que serviu de base à política do III Reich.
O objetivo é também tornar "pouco atraentes, do ponto de vista comercial", as futuras publicações.
Até 2015, o Estado regional da Baviera detém os direitos de "Mein Kampf" ("Minha Luta"), redigido por Adolf Hitler durante sua prisão, em 1924, após uma tentativa de golpe de Estado.
A obra deve cair no domínio público no final de 2015, ou 70 anos após a morte de Adolf Hitler. A partir de 2016, será possível reproduzir o livro sem o consentimento do Estado bávaro, exceto nos casos "de incitação ao ódio racial", precisou Söder.
A Baviera tem bloqueado, até o momento, qualquer reedição integral ou parcial, para evitar uma exploração eventual do texto por grupos neonazistas.
No início de março, uma revista editada pela britânica Peter McGee, "Zeitungszeugen", quis republicar passagens controversas da obra, mas a justiça alemã proibiu, considerando que o projeto serviria aos ideais do ditador.
A iniciativa de McGee foi motivo de várias reações, entre elas a do presidente do Conselho Central dos Judeus da Alemanha Dieter Graumann, que informou não se opor com veemência ao projeto.
"Melhor seria que não fosse publicado mas, neste caso, é preciso que saia acompanhado de comentários pedagógicos por parte de historiadores", disse à AFP.
Dez milhões de exemplares em alemão foram editados até 1945, segundo o historiador Ian Kershaw.
A partir de 1936, o livro "Mein Kampf" era dado de presente de casamento pelo Estado aos casais alemães.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Tropeiros

TROPEIRO NO CAMINHO DO MAR - Desenho de Charles Landseer mostrando um tropeiro paulista tal como descrito por vários viajantes: "esporas chilenas", faca na bota, poncho e chapéu de abas largas. (1825)
THOMAS ENDER “Rancho em Mineiros a duas milhas de Lorena em direção ao Rio de Janeiro”, de Thomas Ender, 1817, lápis aquarelado, 19,6cm
Riche Habitant de S. Paul qui Conduit ses mules chargés de sucre , 1825
aquarela e tinta, c.i.d.
21,5 x 17,5 cm
Academia de Ciências de São Petersburgo (São Petersburgo, Rússia)
Reprodução fotográfica Claus Meyer
Taunay, Adrien
Paulista atravessando o rio - 1825-1826 - Charles Landseer

sexta-feira, 9 de março de 2012

terça-feira, 6 de março de 2012

Antigas páginas de diário 05/02/2006

Há alguns dias eu voltava de um almoço em família, andava pela calçada na beira do rio, e eis que me deparo com esta critura terna. Ela estava com o bico aberto, os olhos fechados, e os pezinhos já recolhidos, provavelmente mais alguns minutos e o sol a mataria.

Eu a coloquei dentro de meu boné e a trouxe para casa. Depois de muita sombra, vento fresco e uma boa dose de fubá com água no bico ela ficou assim, com os olhos brilhantes.

Com o tempo pulava serelepe pelo meu quarto ensaiando seus primeiros vôos. Eu cuidei dela por dois dias e quantas lembranças boas permanecem.

Hoje, quando caminho, vejo o vôo das andorinhas, e me sinto como um Pequeno Príncipe. É tão bom nos sentirmos próximos de algo que admiramos! Quando ele diz, que se você ama uma rosa, e ela está em uma estrela bem longe, e se a noite você olha o céu, todas as estrelas estarão floridas para você. Eu me sinto parte da beleza daquele vôo, daquelas acrobacias leves, que desenham os céus, de sua alegria. É como se todas as andorinhas me agradecessem por eu ter cuidado de uma delas um dia.

Coisas simples como esta só me trazem boas lembranças e me dão a certeza de que sempre vale a pena cativar tudo que é belo e bom e nos enamora. Só temos a ganhar quando aplicamos amor aos nossos sonhos, pois o amor é epidêmico e não tem limites.

Somos nós que decidimos o limite de nosso amor, e quanto do mundo podemos ver, com olhos infantis.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Relógios Suiços

A universalmente conhecida precisão dos relógios suíços fica perfeitamente justificada após uma visita ao município de Plan-les-Ouates, situado na região metropolitana de Genebra, onde estão concentradas várias das fábricas dos mais renomados relojoeiros.

No coração da mais antiga delas, Vacheron Constantin, é possível conhecer os segredos da fabricação destas joias, assim como dar uma olhada (sempre com a ajuda de um microscópio) nas minúsculas peças que compõem suas engrenagens.

Aqui, uma legião de relojoeiros jovens e de meia idade trabalha em conjunto com outros já aposentados, mas tão apaixonados por seu ofício que ainda o exercem três dias por semana.

É o caso de Chrystian Lefrancois, especialista em relógios complexos, que começou nesta "arte" em 1966 e, embora tenha aposentadoria programada para daqui a seis meses, decidiu que continuará trabalhando com uma jornada reduzida "porque é um ofício apaixonante e intenso" que não está disposto a abandonar.

Na mesma empresa de Lefrancois trabalha um mestre relojoeiro que, aos 76 anos, continua encaixando as minúsculas peças dos relógios com a ajuda de um monóculo e dezenas de pequenas ferramentas, enquanto diz taxativamente que não está pronto para se aposentar.

Juntos, aprendizes e professores iniciam a montagem em série, sempre manual, das centenas de peças que mais tarde se transformarão em relógios da mais alta qualidade.

O primeiro passo consiste em encaixar todas as rodas e engrenagens que vão produzir o movimento do relógio, um trabalho de grande delicadeza, o qual muitos trabalhadores fazem ouvindo música para ajudar a se concentrar em tão meticuloso processo.

O seguinte é o ajuste da frequência do relógio, ou seja, fazer com que ele seja perfeitamente preciso. Para isso, os relojoeiros usam um aparelho regulador da hora com o qual comprovam se "o coração da criatura" bate na velocidade adequada.

O coração em questão consiste em uma pequena roda dentada (os parafusos que fazem seus encaixes são três vezes mais finos que um fio de cabelo) unida à uma espiral "feita de uma liga leve de metais secretos", brinca o relojoeiro Hubert Hirner.

Estas peças se inserem no esqueleto do relógio e, uma vez ajustadas, são enviadas para a oficina de encaixe e testes, onde são fechadas em armações de metais e pedras preciosas.

O monopólio destes relógios não se deve unicamente à complexidade de seu funcionamento, mas também às detalhadas decorações.

Segundo Hirner, atualmente a empresa conta com 12 aprendizes e as escolas de relojoeiros "estão cheias" graças à boa reputação da profissão entre os jovens suíços.

A "carreira" de relojoeiro consiste em três anos de estudo e prática, quando o aluno se transforma em um relojoeiro "de produção", ou seja, que pode participar das linhas de montagem manual dos relógios. No entanto, para se transformar em um relojoeiro suíço especialista, é necessário mais um ano de experiência.

Essa disponibilidade não é a mesma quando se trata de esmaltadores, gravadores e outros especialistas na decoração das peças, já que são profissões muito incomuns e de grande dificuldade.

"Aqui temos um esmaltador e uma pessoa que grava os relógios à mão. São profissões muito raras, existem menos de 20 esmaltadores na Suíça e só 25 pessoas capazes de fazer gravuras à mão", assegura Hirner.

Por sua parte, o executivo-chefe da Vacheron Constantin, Juan Carlos Torres, explica que a companhia atualmente fabrica 19 mil relógios ao ano e que planeja aumentar sua produção para 30 mil unidades em 2016, após um investimento de 83 milhões de euros em infraestrutura, equipamentos e contratação de pessoal.

A demanda destes artigos de luxo aumentou consideravelmente a partir da "abertura" da Rússia e da China, quando famílias dos dois países passaram a não esconder os centenários relógios suíços que tinham guardados até então, com medo de que os regimes que os governavam os confiscassem, e os enviarem à Suíça para reparos, o que popularizou a marca nos dois países.

Torres assegura que os russos estão entre os melhores clientes da firma, mas também estão aumentando os compradores de países emergentes, como Brasil, Índia, México e, sobretudo, China, onde às vezes há exigências excessivas.

"Um banco chinês queria comprar relógios para dar de presente de aniversário a seus clientes VIP. Vieram à empresa, escolheram os relógios e então perguntamos quantos queriam, se 100 ou 200. Responderam que queriam dez mil peças, o que não podemos produzir", exclamou. EFE

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Aquedutos na História do Brasil


A condução de água desde a fonte até os lugares em que são utilizadas tem sido uma das constantes necessidades na história dos núcleos populacionais. Esse tipo de transporte já foi feito de várias formas. Quando as condições do terreno o permitiam, abriam-se canais e regos, mas para beneficiar vales e desníveis profundos era necessário recorrer ao aqueduto, construção com estrutura bem peculiar, que se manteve até épocas relativamente recentes.

Um aqueduto é um canal artificial que, destinado à condução de água, pode ser subterrâneo ou a céu aberto. Apesar de seu caráter evidentemente funcional, ligado ao abastecimento de água, os aquedutos da antiguidade, construídos pelos gregos e especialmente pelos romanos, passaram a constituir um exemplo básico da arquitetura e sua forma de construção clássica.

A água fluí das cisternas por tubos tanto para casas particulares quanto para pontos de distribuição públicos. As fontes serviam para fins decorativos e funcionais. Desde então, as pessoas podiam levar seus baldes até a fonte para coletar água. As cisternas garantiam a altura necessária para elevar a pressão na água e irrigar a fonte. De acordo com a engenharia moderna, 30,5 cm de altura geram 200 gramas de pressão d´água por polegada quadrada (psi), assim a cisterna não precisa estar em um lugar muito alto para gerar pressão suficiente e dar um aspecto razoável à fonte.

Desde a mais remota antiguidade se tem notícia de edificações destinadas à condução de águas, suportadas por estruturas de pilastras ou de arcos. É o caso do aqueduto de Senaqueribe, construído pelos assírios por volta do século VII a.C., que abastecia a cidade de Nínive. As obras de condução de água que alcançaram maiores dimensões e importância arquitetônica foram as realizadas pelos romanos. A capital do império dispunha de um sistema de canalizações de que faziam parte até 11 aquedutos, que permitiam o transporte de água a distâncias superiores a noventa quilômetros. Também na França, na Espanha, no norte da África e na Anatólia os romanos mostraram sua habilidade na construção desse tipo de edificação: cabe citar, por exemplo, o aqueduto sobre o Gard, nas proximidades da cidade francesa de Nímes, o de Segóvia, na Espanha, e o de Éfeso, na Turquia, todos até hoje em excelentes condições de conservação.

Na história do Brasil, foram raros os exemplares de aquedutos. No Rio de Janeiro ergueu-se, entre 1744 e 1750, o aqueduto dos Arcos, que trazia água de Santa Teresa para o morro de Santo Antônio.


No município de Catas Altas, ainda existem ruínas daquele que foi o mais expressivo aqueduto construído nas Minas Gerais Colonial: o Aqueduto Quebra-Ossos. Construído por escravos, partia do sopé da Serra do Caraça e, originalmente, estendendia-se por quase 40 km. O Quebra-Ossos foi concluído no início do da última década do séc. XVIII e foi utilizado para conduzir grande quantidade de água para a lavagem do minério aurífero.